O streaming está nos controlando. E você nem percebe. | Dialética do Pop com Heribaldo Maia
Apresentação: Heribaldo Maia
Assistir no YouTubeAs séries que maratonamos com prazer — da Netflix à HBO — não são apenas entretenimento. Elas são formas de controle sensível, moldando o que podemos ver, sentir, desejar. Marx chamou isso de fetichismo da mercadoria: quando as relações sociais se escondem por trás de coisas sedutoras. Hoje, isso vale para um iPhone... e também para La Casa de Papel, Succession, The Crown ou Black Mirror. Essas séries transformam a crise em espetáculo. A dominação em drama pessoal. A alienação em estética de luxo. Como nos ensina Jacques Rancière, a estética é um regime do sensível — ela define o que é visível e o que permanece invisível na cultura. E o que as plataformas de streaming fazem é isso: formatam o mundo para que pareça que não há alternativa. Não há revolução sem forma revolucionária. A frase de Maiakovski nunca foi tão atual, afinal, se a cultura está sendo usada como arma do capital, precisamos reapropriá-la como campo de luta.